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Pelas janelas do Galeão

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O Rio de Janeiro já está sob os holofotes, que iluminarão ainda mais a Cidade Maravilhosa durante os Jogos Olímpicos. Lembro que estava na Índia quando o Rio foi anunciado cidade-sede da Olimpíada de 2016. Junto a outros brasileiros, comemoramos a conquista. Imaginei as melhorias que seriam realizadas no prazo que tínhamos para transformar o Rio em cidade olímpica: ambientais, de infraestrutura, sociais. Hoje, os avanços parecem tímidos, incapazes de atrair os holofotes, diante do sem-fim de problemas em que a cidade está mergulhada. Entre as novidades, toda a área da Praça Mauá, no projeto do Porto Maravilha, e o sempre cheio Museu do Amanhã.
Neste post, no entanto, vou tratar de uma das mais antigas construções cariocas. Quem chega ao Rio pelo novo Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, pode vê-la pelas janelas dos novos corredores do aeroporto. Ali, muito acima da pista de pouso e decolagem, no alto de uma rocha de 111 metros, foi construída a capela que, anos depois, foi substituída pelo Santuário de Nossa Senhora da Penha. Vista do aeroporto, da Avenida Brasil ou da Linha Vermelha, a igreja sobre a pedra já mostra imponência. A mim, sempre causou curiosidade. Por que, afinal, nos idos do século 17, construir uma igreja em área de tão difícil acesso?
A fé, claro. Se não chega a mover montanhas, leva para o alto dela suas edificações. Segundo a história oficial da igreja, foi o Capitão Baltazar de Abreu Cardoso que a mandou construir. Dono de todas as terras ao redor da gigante pedra em que a igreja foi construída, o capitão subia à pedra para ter a dimensão de suas plantações. Sobreviveu ao ataque de uma cobra e decidiu construir a primeira capela no local. Devoto de Nossa Senhora, a “Penha” entra na história em referência ao penhasco que se tinha de enfrentar para chegar à capela – que passa a ser conhecida como Capela de Nossa Senhora da Penha.

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No alto da escadaria, a Igreja da Penha

A primeira capela foi demolida em 1728, mas a segunda construção teve o mesmo fim: demolida em 1870. Foi então que a construção que pode ser visitada hoje ganhou seus primeiros contornos, sendo posteriormente ampliada. A famosa escadaria é de 1819 e seus 382 degraus foram esculpidos na própria pedra. Foi o agradecimento de um casal devoto pela graça alcançada. Hoje, há um bondinho para vencer os degraus – e outros dois trâmites de bondes, para garantir a acessibilidade ao interior da igreja. O interior é simples, em estilo eclético, com destaque para as pinturas no teto e nas paredes. Do lado de fora, o trabalho em estuque branco, as arcadas nas galerias laterais e as duas torres laterais são os destaques.
Do alto, no entanto, vê-se o Aeroporto do Galeão, parte da Baía da Guanabara, em dias de céu limpo, até o Cristo Redentor. E uma boa parte do Complexo do Alemão. O que talvez explique a falta de turistas ali no alto. Se vale a visita? Sim. Para os mais curiosos, ao menos.

Álbum de fotos:

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